Nelson Felix

Grafite, 1988 e Série Árabe, 2001

Na escultura Grafite, duas hastes confeccionadas em grafite são posicionadas seguindo procedimentos diferentes. Uma é alinhada à posição do eixo do sol no momento em que o trabalho é instalado, obedecendo ao ângulo da eclíptica.

Considera-se que essa seria a posição de referência, portanto, a única perfeita do nosso sistema e como tal, definida a priori, não necessitamos compô-la com o espaço. Em decorrência de sua inclinação à arquitetura, a posição da peça indica, que nossa primeira percepção – o próprio espaço arquitetônico – é que está distorcido cosmicamente. A outra peça tem a sua posição definida pelo artista, que relaciona a primeira haste com o espaço expositivo, assumindo a idéia de uma composição escultural.

A Série Árabe origina-se a partir do pensamento desenvolvido em Grafite. Evitando compor três esculturas no espaço arquitetônico, o artista alinha as peças dentro da arquitetura e as gira 23 graus e meio, seguindo assim o ângulo da eclíptica. Nesta nova posição, as esculturas não cabem no espaço: algumas se torcem, pelo próprio peso, adaptando-se ao novo posicionamento, outras penetram as paredes ou adquirem uma nova estrutura formal.

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