Nelson Felix

Método Poético para Descontrole de Localidade II, 2011

Em Método Poético para Descontrole de Localidade II, como em MPDL I, o artista volta a explorar relação entre o espaço e a poesia.

É constituído por dois trabalhos, Um canto para onde não há canto (2011) e Golpe (em processo). O primeiro, realizado na cidade de Brasília em 2011, com estrutura similar a 4 Cantos e Verso, mas agora sua realização se dá em quatro espaços externos e um interno. O artista parte do princípio de que a cidade de Brasília não tem esquinas. Traça um retângulo envolvendo os dois eixos do plano diretor da cidade, construindo assim, quatro cantos ao seu traçado. Em cada um desses cantos coloca um vaso com a inscrição de uma das estrofes do poema La Voce, de Cesare Pavese. Neles se encontra uma planta sensitiva, Mimosa Púdica – dormideira. Após tocá-la e seguindo a sua retração, o artista inicia uma série de desenhos, visando construir nesses locais, um cantar poético, uma impregnação da poesia pelo ato contínuo do desenho. Tudo que foi utilizado nesses quatro pontos é abandonado in loco. Nada de material persiste, assim nada é levado ao espaço de exposição. Somente à presença da poesia nesses quatro sítios da cidade, é o que o espaço arquitetônico se refere.

 

La Voce – Cesare Pavese 

Ogni giorno il silenzio della camera sola

si richiude sul lieve sciacquío d’ogni gesto

come l’aria. Ogni giorno la breve finestra

s’apre immobile all’aria che tace. La voce

rauca e dolce non torna nel fresco silenzio.

 

S’ apre come il respiro di chi sia per parlare

l’aria immobile, e tace. Ogni giorno è la stessa

E la voce è la stessa, che non rompe il silenzio,

rauca e uguale per sempre nell’ immobilità

del ricordo. La chiara finestra accompagna

col suo palpito breve la calma d’allora.

 

Ogni gesto percuote la calma d’allora.

Se suonasse la voce, tornerebbe il dolore.

Tornerebbero i gesti nell’ aria stupita

e parole parole alla voce sommessa.

Se suonasse la voce anche il palpito breve

Del silenzio che dura, si farebbe dolore.

 

Tornerebbero i gesti del vano dolore,

Percuotendo le cose nel rombo tempo.

Ma la voce non torna, e il sussurro remoto

non increspa il ricordo. L’immobile luce

dà il suo palpito fresco. Per sempre il silenzio

tace rauco e sommesso nel ricordo d’allora.

 

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