Nelson Felix

VAZIOS, 1992-2004

Os três trabalhos – Vazio Cérebro, Vazio Coração e Vazio Sexo – reference-se aos vazios existentes nestes três locais do corpo humano.

Vazio Cérebro – foram feitas três versões; uma delas, Vão, realizada em mármore carrara, graxa e cabos de aço, foi apresentada na 23a Bienal de São Paulo, em 1996. A escultura retrata rigorosamente os vazios do interior do sistema nervoso central, aumentados 111 vezes. Logo, a sala da Bienal continha todas as formas que não se encontram no interior da cabeça.

Vazio Coração – foi concebido como parte do projeto Cruz na América e é constituído por dois trabalhos em espaços diferentes: litoral e deserto. A construção desta obra se faz por meio do tempo; ora o instante, ora o centenário. Deserto, trata do instante, e para tal utilizou a fotografia. Todo o trabalho é formatado no atelier do artista, usando para o local – coordenadas, o tempo de exposição da foto é o mesmo da batida do coração do artista no momento da foto e a direção da máquina fotográfica, os eixos da Cruz na América, definindo assim, o enquadramento. Quatro fotos são realizadas mais o zenith e o nadir. Apesar de todo estar trabalho construído apriori, o tempo de exposição, cerca de um segundo, e a intensa luz no deserto, “estouram” as fotos. O acaso interage nesta fração de segundo e determina a visualidade das fotos tiradas. Litoral – Uma esfera de mármore com pinos de ferro, é abandonada numa praia do Ceará, numa coordenada específica, ao sabor da maré. A peça será modificada pela oxidação lenta do ferro, que se expandirá estourando sua forma.

Vazio Sexo são duas esculturas em mármore carrara e prata e seis desenhos, em grafite, lacre, prata e ouro. A questão do fazer adquiriu uma posição central e definiu todos os procedimentos. No seu longo tempo de realização, cerca de 6 meses, o artista repetiu diariamente a mesma sequência de cortes, aludindo não apenas ao ato sexual, mas também a um fazer sequencial, que se torna conceito. A escultura foi toda definida a priori, não pelo artista, mas por referências históricas, evitando, desse modo, escolhas compositivas. Deixando assim, como única ação sua, individual, o próprio ato de produzi-la.

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